Publicado por: jcteo | junho 19, 2011

Balas Zequinha, Figurinhas do Zequinha e sua origem: Piolin, o “Maior Palhaço do Mundo”

Balas Zequinha
As balas Zequinha vinham com figuras…
Repletas de emoções e ternuras!
Zequinha era o nome do personagem
Destas balas que eram a maior viagem!
 
As crianças trocavam figuras no cinema, na escola e na praça…
Com o gosto destas balas cheias de graça!
Elas trocavam as figuras por notas fiscais…
Através das promoções sensacionais!
 
Quem inventou estas balas foram gênios…
Pois as crianças trocavam figuras por prêmios!
As balas Zequinha fazem parte da cultura…
Pois elas espalharam alegria e doçura.
Luciana do Rocio Mallon
A história das figurinhas do Zequinha começa com a fábrica de doces “A Brandinha” que foi fundada na década de 1920, por quatro irmãos poloneses – Francisco, João, Antônio e Eduardo Sobania.
Francisco Sobania teve a idéia de utilizar os desenhos como papéis de bala, encomendando uma coleção inicial de 30 figurinhas à gráfica da Impressora Paranaense, isto em 1929
 
Alberto Thiele que na época trabalhava na Impressora Paranaense, e sob inspiração da Balas Piolin, que eram embrulhadas em caricaturas do palhaço paulista Piolin, criou o Zequinha na forma de um palhaço careca, de boca aumentada pela maquiagem, gravata borboleta e sapatos tipo lancha.
O palhaço
Do meu tempo de criança,
Quanta lembrança! … a mais doce,
Talvez fosse a mais singela
E a mais bela — a do Piolin!…
Ele era assim … encantado! …
Palhaço desengonçado
Que tanto fazia rir! …
Sua bengala … sua peruca …
Sua cuca tão carequinha! …
E sua linda cachorrinha,
Puxada pela coleira,
Toda tchan, toda matreira,
Que nunca o abandonava
E saltava, quando ouvia:
— Pula, Fia! … pula, Fia! …
Hoje bateu uma saudade
Danada, daquela idade
Tão linda e despreocupada
Que passou tão de repente,
E a gente nem percebeu.
Fui feliz? Realizei
Os sonhos com que sonhei? …
Eu busquei o que devia,
Ou lutei por quase nada?
Algum dia eu fiz sorrir
A platéia que me via?
Não sei bem o que diria! …
Só sei que… — inveja danada
De quem representa, e bem,
Seu papel no picadeiro,
Deste mundo complicado,
Em troca de quase nada! …
Por falar em gente assim,
Que fim teria levado
Meu encantado Piolin? …
João José Correa

Abelardo Pinto“Piolin” nasceu no Circo Americano, em Ribeirão Preto. Filho de artistas circenses, conquistou o reconhecimento dos intelectuais da Semana da Arte Moderna, movimento artístico e literário realizado no Brasil em fevereiro de 1922, como exemplo de artista genuinamente brasileiro e popular.

O presidente Washington Luiz era seu fã e tinha cadeira cativa as quintas-feiras no seu circo, e os modernistas, seus fãs assíduos, escreviam frequentemente sobre ele em jornais e revistas. Em 1929, no dia do seu aniversário, os modernistas homenagearam Piolin com um almoço que chamaram de Festim Antropofágico. Considerando que os antropófagos comiam o inimigo para adquirir suas qualidades, o ato simbólico de “comer Piolin” constituiu-se numa verdadeira consagração ao palhaço.
Um trabalhador do circo de origem espanhola, notando que as pernas de Abelardo Pinto eram muito finas, chamava-o de piolin, que significava barbante fino, como as cordas de um violino. Ainda que no começo quisesse se zangar, acabou achando graça e manteve o apelido e Piolin ficou.
Foi considerado “o maior palhaço do mundo”.
Sua indumentária era composta de um jaquetão maior do que o seu tamanho – bem exagerado, sapatos nº 84, bico largo e sua famosa bengala, que mais parecia um “anzol de pescar submarino”.

O dia de seu nascimento, 27 de março de 1897, foi escolhido para a data comemorativa do Dia do Circo no Brasil

 
Não fui como os outros meninos, que entravam no circo por baixo do pano. Nasci dentro dele e levava uma vida que causava inveja aos outros garotos. Eu, do meu lado, tinha inveja deles. Eles tinham uma casa, tinham seus brinquedos comuns e podiam ir diariamente à escola. Eu começava a freqüentar um colégio e o circo se transferia. Lá ficava eu sem escola”.  
Seu sonho era ser engenheiro, queria construir casas, pontes, estradas e castelos. Construiu apenas castelos de sonhos de muita gente.  
“Sou, de qualquer maneira, um engenheiro e estou feliz com isso.”
Piolin
 As Balas Zequinha que vinham embrulhadas em um papel com o desenho do palhaço, na forma de palhaço careca, de boca aumentada pela maquiagem, gravata borboleta e sapatos tipo lancha.
 As figurinhas eram numeradas e retratavam um personagem, o Zequinha, em diversas situações, profissões ou localidades, seguido de uma descrição da cena com seu nome e um adjetivo ou expressão, tais como “Zéquinha Palhaço”; “Zéquinha Esportista”, “Zéquinha Toureiro”; etc.
 Em 1948 a fábrica foi vendida aos irmãos Francheschi (Franceschi & Cia Ltda, de Romar e Radi Franceschi) e, posteriormente, em 1955, assume a fábrica Elisio Gabardo e Plácido Massochetto.
 Em 1967 Zigmundo Zavatski compra o direito da marca e a relança. Em 1986, a J. J. Promoções, de Jeferson Zavatski e João Iensen, recomeça a explorar a marca “Balas Zequinha”, oferecendo pacotes de figurinhas com as figurinhas do Zequinha junto com doces.
 As Balas Zequinha eram de açúcar com essência de frutas, de formato quadrado. A embalagem era feita à mão, por 75 moças, e o consumo exigia uma produção diária de 1200 quilos de balas, ou 360 mil balas, distribuídas em todo o Estado do Paraná.
 As balas eram distribuídas em latas com capacidade para 100 quilos. A cada tonelada era incluída uma bala embrulhada na figurinha n.º 200
 Alberto Thiele (1899-1972), foi o criador das primeiras 30 figurinhas que, com o sucesso que tiveram, foram aumentadas para 50 figurinhas do Zequinha.
 Paulo Carlos Rohrbach, na época também funcionário da Impressora Paranaense, criou os desenhos das Balas Zequinha a partir do número 51 (“Trocando Colarinho”) até o nº 200 (“Zéquinha Distribuindo”).
 Durante a segunda gestão de Ney Braga, o governo do estado do Paraná lançou a campanha: Zequinha – O ICM das Crianças em 1979 com a intenção de aumentar a arrecadação de impostos. Desta maneira o estado disponibilizou álbuns e figurinhas ao público, quando estes eram trocados pela primeira via de notas fiscais ao consumidor nos postos autorizados.

O tema escolhido para esta campanha foi o personagem que surgira cinquenta anos antes, na estratégia de marketing da empresa “A Brandina”, com a clara intenção de recordar, homenagear e preservar a cultura Paranaense: A figurinha Zequinha.
 Quando ficava difícil se livrar dos números duplos, nas trocas entre os piás e no jogo do bafo, havia as matinadas no Cine Curitiba, onde os colecionadores trocavam 100 duplas por um prêmio.
 Zequinha que jamais envelhece na memória curitibana, ensinou gerações de piás e gurias a contar até 200 mais depressa do que a escola conseguia ensinar.
 Apesar dos diversos proprietários, o personagem Zequinha – o mais curitibano de todos os piás – resistiu ao tempo tornando-se um dos grandes ícones paranaense do Século XX.
 Londrina foi a única cidade do interior que teve um contemplado no concurso do ICM do Paraná. O prêmio foi para um Marcelo Pinheiro, na época com 6 anos. A família de Marcelo pode comprar na época duas casas, um carro novo e usufruiu durante muitos anos do prêmio milionário que a sorte colocou em seu caminho.
  Governador Ney Braga e Marcelo Pinheiro
Dos teus lambrequins
de ouro, das tuas cem
figurinhas de bala
Zequinha
, do teu
bebedouro de pangarés,
a gente perguntará:
Que fim levaram?
Dalton Trevisan, “Em Busca de Curitiba Perdida”

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Teo – jcteo (Engenheiro Teodorovicz)

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José Carlos Teodorovicz

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…Nas mais espetaculares paisagens!

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Existe uma linda arara azul,
Que voa em seu ombro de Norte a Sul!

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Há um espaço para a cultura…
Com estrelas cheias de doçura!

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Há uma bailarina com véu!
Existe o verdadeiro xadrez…
Pois lá a inteligência tem vez.

Luciana do Rocio Mallon

 

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